Curitiba num outro findi

Me hospedei com a grande família no hotel Formule 1, que de outras viagens posso dizer que é exatamente igual em toda a parte. Isso me diz que o que importa não é o hotel, não é a companhia aérea nem o avião que nos leva, não é o padrão Mc Donald’s. O que é, então? O que diferencia uma cidade da outra? Primeiro: as pessoas. Porque comércio, shopping center, aereoporto… tudo igual. A arquitetura, a paisagem urbana, isso é algo que também faz a diferença. O jardim botânico, por exemplo, que várias cidades têm. O de Curitiba é bem abertão, tem cara de parque. O de Porto Alegre tem um baita matagal, não é tão convidativo.

Caminhando – uma das atividades mais reinvindicatórias da cidadania – é que dá pra sentir de fato o que pulsa numa cidade. Nos dias que estive lá senti a falta de ver as pessoas na rua, caminhando. Um visão particular minha, mas o Nando, meu sobrinho e parceiro de caminhandas incansáveis, compartilhou a mesma opinião. As pessoas são quem constroem a cidade.

Sem saber muito o que iria ver em termos de exposição, achei o Museu Oscar Niemayer, o “museu do olho”, na boca das pessoas. Quer dizer, a marca da arquitetura do Niemayer já está garantida, então o povo aproveita para dar o nome que quer. No elevador, lá dentro, estava escrito: “3º andar – Olho”.

Outra coisa, que eu não cheguei a apurar muito bem: os curitibanos são “na sua”, mais reservados. Outro dia na TV vi um documentário sobre a cidade, falando sobre Dalton Trevisan, Paulo Leminski etc. dizendo que Curitiba não tinha identidade cultural. O que pude perceber é que existe um forte esforço de organização, toda aquela história de trânsito e transporte modelo, uma coisa bem metódica.

O mercado público municipal representa esse método, eu creio. Super bem organizado, de novo comparando com o de Porto Alegre. Em relação à identidade cultural, acho esse último muito mais peculiar. Senti falta de algumas coisas como: Bar Naval, Banca 40, lojas com tambores e artigos de umbanda e candomblé etc.

Gostei bastante da cidade do jeito que ela me foi apresentada, por pessoas naturais de lá ou não. As pessoas é que constroem a cidade, e Curitiba é uma cidade em construção.

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