Invisible man

“You’re invisible now, you got no secrets to conceal”

Tava ouvindo a canção Dylanesca dias desses num final de tarde. Canção executada como de praxe, dentro de um repertório de músicas invisíveis do rádio. Porém, dentro da sua transparência, um verso de “Like a rolling stone”me chamou a atenção, me surpreendeu de maneira inusitada.

Pense bem: se o cara é invisível, ele não tem nada para esconder. É lógico, não é? Mas o que mais isso quer dizer?

Primeiro de tudo, ser/estar invisível é deixar de ocupar um lugar especial: o de bom ou mau menino; o de melhor ou pior aluno; o de pária ou bem sucedido homem. Essas são faces, e quem diabos precisa de uma quando não é visto? Assim como escolheu ser invisível, também abriu mão de ter que escolher com que cara vai se mostrar.

Sem cara, sem segredos. Sobretudo para si. A gente evita e adia esses momentos de invisibilidade, eles dão medo, é a verdade. Se abrir consigo, porém,  parece um caminho inevitável e sem volta.

O paradoxal é que aí você de fato começa a ser visto verdadeiramente. Você passa de vácuo material a presença imaterial. Como no negativo de um filme, você é aquilo que não aparece.

Você e eu somos como a gente se vê. Grata surpresa que esses versos me trouxeram.

Foto: flickr.com/hi-phi

Deixe uma resposta +

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s