Pra onde vão os orfãos do rádio FM?

A partir dessa segunda feira, como já anunciado pelos locutores e pela própria rádio, no ar ou via redes sociais, a Ipanema FM vai sofrer uma reformulação radical para se adaptar aos novos tempos, o que implica em mudanças como “tocar sucessos nacionais e internacionais”, “com apelo popular” tendo em vista “o que apontam pesquisas de mercado” (os trechos entre aspas foram retirados do twitter da rádio). Na minha opinião a rádio já vinha fazendo isso até então, exceto talvez pela concordância com alguma “pesquisa de mercado” (no que se baseiam de fato?).

Para bons entendedores que somos, isso quer dizer que a surpresa boa de ligar a rádio e ouvir aquela canção meio esquecida (quiçá banida), já era. Em troca, uma rádio em que a sensação de déjà-vu-jabá passa a ser uma constante. Mais uma rádio-paisagem, som-ambiente, de elevador, de consultório? Atenção: a concorrência nesse meio vai ser pesada!

Ainda sobre repetição: uma coisa que aprendi na faculdade de Comunicação e que qualquer um pode checar, é o fato de que as rádios trabalham muito com ela, a repetição. Vide os spots e jingles veiculados em loop ao longo da programação para fizar uma mensagem, especialmente nas rádios da Rede Pampa, com o onipresente “leia hoje no jornal O Sul”. Pois bem. As rádios também costumam usar esse artifício na sua programação musical.

A Ipanema FM também tem das suas repetições, mas de uma forma bem peculiar, no meu ver. Cada locutor tem as suas “confirmadas”, aquelas músicas que tocam ad eternum nos seus respectivos espaços. Mas sempre há um espaço pras suas pérolas, pras suas surpresas, pra mostrar o seu bom (ou mau) humor…

Mas enfim, pra onde vão esses profissionais e os ouvintes que ligam pra isso?

Querendo fazer menos uma profecia do que uma constatação, acredito que esse povo já tem destino certo, se não houver mais espaço nas convencionais rádio FM. Assim como muito da produção audiovisual atual vai direto pro meio digital, sem escalas nos tradicionais meios de distribuição (TV, cinema etc.), as rádios na web podem ser um caminho promissor nesse sentido.

Ontem mesmo, num sebo do centro de Porto Alegre, entre discos de vinil e livros empoeirados, fui surpreendido por uma combinação inusitada. A rádio sintonizada não era daqui, os spots eram em inglês. Era uma rádio da web ligada direto nos auto-falantes!

Será por aí o nosso caminho?

[Post Atualizado no dia 16/08/2011: Ninguém morreu. No fim era tudo uma farsa promovida pela rádio, a qual foi desmentida ontem mesmo. De qualquer forma, valeu a reflexão.]

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