A vez em que fui pro Uruguai a pé (Parte III)

[Terceira parte da minha história de errância rumo ao Sul. A segunda tá aqui.]

E assim segui errante rumo ao Sul. Errado ou certo, eu estava gostando daquela liberdade de escolha, por mais ilusória ou provisória que fosse… Aliás, recomendo para os que apreciam a dúvida e sabem tratá-la bem.

De Tavares parti de ônibus rumo a São José do Norte, cidade um tanto quanto mais notória que a remota Bojuru, onde fizemos uma pequena parada. Pelo que me lembro ou pelo que a minha memória inventa — o que dá no mesmo, porque posso ter inventado isso no momento em que vivia –, Bojuru era uma cidade arquetípica. O nome da farmácia era Farmácia, do restaurante era Restaurante e da lanchonete era Lanchonete. Isso bem pintado em letras garrafais na testeira da cada um dos recintos, como numa daquelas cidadedezinhas cenográficas de faroeste.

Pelo caminho da Estrada Real, extensão da do Inferno, atolamos na areia mais fofa. O motora convoca, com elegância: “todo mundo baixando do ônibus pra aliviar o peso e sairmos daqui!”.

Dali foi um pulo até São José do Norte e outro até Rio Grande, fazendo aquela travessia de balsa sempre agradável pra quem gosta de mar. Em Rio Grande fico bem instalado num hotel espaçoso no centro da cidade. Nesse ritmo vertiginoso, no outro dia já estou no Cassino, caminhando pelos molhes e visitando a carcaça do velho Altair, com direito a uma caroninha, porque não é de graça que o Cassino é chamada a praia mais extensa do mundo. No verão, a praia acaba sendo uma das poucas do RS em que fica liberado o tráfego de carros na areia.

O véio Altair, por Edgar Vasques

Foi quase enterrado numa duna que eu passei essa noite, um olho fechado e outro aberto vendo aquele vrum-vrum-vrum de carros e motos constantes mas cada vez mais esparsos madrugada adentro.

Nesses dias todos de viagens, o tempo bom me favoreceu durante a noite (não choveu!) mas o sol castigava durantes as longas caminhadas diárias. Num desses trechos de sol a pino, com a cara queimada de insolação e a barba já ruiva de queimada, tive uma visão!

[Continua…]

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