Notas de Viagem: Carnaval no Uruguai (Parte III)

Notas do Escriba

Já disseram que pra ser bom escriba tem que ser bom observador. Se não chego a ser o primeiro, me arvoro a ser o segundo. O que gosto de observar em viagens é como eu e minhas companhias nos damos, qual é a dinâmica — como se fossemos um time ou uma equipe trabalhando junto.

Felizmente, sempre que viajei tive ótimas companhias. Não me lembro de nenhuma surpresa muito negativa, como a de descobrir um mala enrustido durante uma viagem. Dessa vez não foi diferente: éramos 4 dando a volta no Uruguai de carro, 2000km em 4 dias, dividindo as funções de piloto, co-piloto e pitaqueiros de plantão.

O que fez a viagem dar certo, o que faz as pessoas se darem bem? Faço algumas constatações que talvez sirvam pra qualquer situação de grupo.

  • Tudo a seu tempo e a seu jeito. Vamos pegar o caso do carro com motoristas resevesando entre si. Cada um tem o seu jeito de dirigir. Uns são mais apressados e aflitos, outros mais prudentes e cuidadosos. Os primeiros exigem uma vigilância maior, mas dificilmente vão mudar seu jeito de ser de uma hora pra outra. Os últimos também não vão gostar de sair fincando o pé no acelerador só por pressão do grupo.
  • Alguns erros são permitidos. Ainda no carro: quem está dirigindo tem uma percepção diferente dos que estão de carona. Do motorista se espera que esteja ligado todo o tempo, então não cabe espinafrá-lo em caso de mancadas como errar um caminho, se destrair brevemente, esquecer de dar um sinal de luz..
  • Cada um tem um limite de paciência, evite ultrapassá-lo. À medida que conhecemos melhor as pessoas, ficamos sabendo quais situações as deixam de mau humor. A não ser que você tenha um bom motivo para ir adiante — raramente há — procure evitar essas situações simplesmente prevenindo-as de acontecer. Durante as viagens, isso geralmente está relacionado à (falta de) comida e horas dormidas.
  • O mais barato nem sempre é o pior / O mais caro nem sempre é o melhor.  Na relação de hóteis em que ficamos nessa viagem, o valor da diária foi inversamente proporcional à qualidade dos serviços prestados. Em suma, o melhor hotel foi o mais barato.

Tocou no “prêier” do carro

A viagem foi embalada pelo Album Negro do Rubén Rada, que passou a tocar sem parar desde que o compramos no centro de Montevidéu.

Por um jornal uruguaio fico sabendo que Jorge Drexler debutará en el cine. Outro que tocou enquanto olhavámos para o outro lado do rio, em Colônia…

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