Oficina de Design Centrado no Usuário (ou nas Pessoas)

Semana passada fui convidado pra falar à turma do 8º semestre de Design da ESPM de Porto Alegre. A Claudete Tavares, que me convidou, deu carta branca, desde que o assunto tivesse alguma ligação com a minha experiência com design para o meio digital.

Eu escolhi falar sobre Design Centrado no Usuário. Ou melhor… centrado nas Pessoas. A palavra usuário não lhes soa meio distante às vezes? Assim:

ONDE LÊ-SE:
— Sim, o nosso usuário vai gostar disso!
LEIA-SE:
— O nosso usuário médio (average user), essa entidade que desconhecemos mas cuja mente podemos ler, possivelmente ficará contente com essa solução.

“As pessoas vão gostar!” continua vaga, mas pelo menos é mais humana. Então, pessoal, se aproximem que eu vou contar uma história.

Bindaas Madhavi on Flickr

O assunto

Pra mim, esse é um tópico ou abordagem que não envelhece. Se você já leu O design do dia-a-dia, já sabe o porquê. Se não leu, eu conto: é porque passa ano, entram novas tecnologias, a gente continua vendo coisas que foram desenhadas sem levar em conta quem vai usá-las!

Não vou muito longe pra mostrar um exemplo: no dia em que cheguei à ESPM, tive dificuldades pra sair do estacionamento (era minha primeira vez ali), por conta da quase inexistência de sinalização. Design Centrado… no dono do estacionamento?

À caminho da aula, encontro uma ex-professora se debatendo com um tablet que recém comprara: “Já li o manual, mas não sei por onde começar… Bem, eu sei que esse botão aqui é para voltar… Mmmm… Thiago, tu poderia me ajudar?”. Design Centrado no Fabricante.

A dinâmica

Oficina me parece um nome justo pra dinâmica que fizemos aquela noite. Não queria despejar informações pros vinte e poucos presentes, pois seria ineficaz e um pouco injusto (era véspera de feriado e os que vieram deviam ter sangue nos olhos para viajar ou coisa do gênero). Querer uma aula centrada nas pessoas me parecia no mínimo de bom tom.

Depois de uma breve apresentação (não sem antes enfrentar alguns percalços com o projetor e parafernálias afins — culpa do mau design, diria nosso amigo Norman, do livro citado acima), propus um desafio aos meu camaradas designers, divididos em três grupos: projetar um produto/serviço com foco no usuário final, aqui representados por personas. Esse era o principal requisito.

Como na vida real, tínhamos tempo e recursos limitados. Nessa parte, eu devo créditos ao Daniel Wildt, um cara pra lá de atarefado (a lenda no mundo da T.I. é a de que ele não dorme jamais) que tomou seu tempo precioso pra escrever essa receita de bolo, explicando como é que se faz uma dinâmica legal e produtiva em UMA HORA!

Vejam como ficaram os tempos e tudo mais nessa apresentação abaixo:


Oficina Design Centrado no Usuário from Thiago Esser

Alguns comentários

Como se pode imaginar, uma dinâmica de uma hora não vai mudar a vida de alguém radicalmente (quem sabe?…). Muito menos esgotar um assunto como esse.

A intenção foi passar o feeling de como é trabalhar como essa abordagem no dia-a-dia das empresas ou diante de situações de grupo, que é como as questões de design normalmente são resolvidas.

Também serve pra mostrar que criatividade não é algo que brota do chão, assim, do nada. Criatividade se aprende, é algo que pode (e para existir, deve) ser trabalhada. Nos três grupos, as soluções tinham muitos lugares comuns, cenário que provavelmente se modificaria se tivéssemos mais algumas rodadas.

Fotos

Nota: 30/30 foi o aplicativo para iPad que usei para cronometrar tudo. Recomendo.

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