A humanização dos recursos humanos

Texto escrito para um pesquisa sobre Direito do Trabalho.

Há um questionamento que coloca o termo recursos humanos em contradição, uma vez que as pessoas não poderiam ser consideradas um recurso. Este só seria usado com justiça quando aplicado a objetos quantificáveis, e não sujeitos qualificáveis que somos.

Essa discussão pode ir para um caminho mais conceitual ou para um caminho mais prático. Uns dirão: “tanto faz chamar as pessoas de recurso ou não”. De fato. O que importa é levantar como isso se dá nas empresas, principalmente para os gestores: somos mais recursos ou mais humanos?

Vamos pegar um fato recente, que foi a atualização dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas no Brasil, que até então não recebiam benefícios básicos a quaisquer outros profissionais (exemplo: 13o. salário, férias remuneradas, hora extra). A mudança na lei gerou polêmica, e o principal “desconforto” foi o daqueles que não poderiam mais arcar com os custos de ter uma empregada (observem o verbo). Para alguns, acabou um privilégio que se tinha naturalizado. Acrescento aqui uma informação: há países de primeiro mundo que não contam com esses serviços domésticos, que são feitos pelos próprios donos da casa.

No casos dessas pessoas que não poderão mais pagar uma empregada, a fonte secou. Isto é, se a lei for praticada nos conformes, será o fim de um recurso. Ou o fim da era das empregadas domésticas como um recurso.

Agora peguemos um outro tipo de trabalhador, a dita mão de obra qualificada, super-educada (curso superior, pós-graduação, mestrado…). Estes também são vistos como recursos, a despeito da sua exemplar formação?

O que vemos, na prática, são gestores que não foram preparados para ter uma abordagem humanista do trabalhador, pois essa é a lei do mercado: as pessoas precisam trabalhar, e se não quiserem o trabalho, vai sempre ter alguém que queira. É o liberalismo nas relações de trabalho. Vale lembrar que esse modelo político-econômico entrou em cheque quando grandes bancos, instituições até então símbolo de que o mercado se autorregulamentaria, pediram ajuda ao Estado para não ir à falência.

Esta discussão importa quando entramos no mérito de o quanto a nossa CLT é engessada e protecionista. Fatos como os que foram citados acima nos lembram o porque dessa proteção.

Um outro caminho que não somente o da regulamentação por leis, é o da humanização do trabalhador. Parece que aí há um movimento (r)evolucionário: a humanização dos recursos humanos.

1 Comment +

  1. Via de regra escrevemos sobre temas distintos, mas este aqui acho que colou, afinal a humanização tem um custo que o empresariado ou patrão não quer abrir mão, para uma empresa com Mil funcionários, humanizá-los reduzirá o lucro de 200 Milhões para 180, o que é um fato inaceitável desde os tempos de Taylor e Fayol, lembrando que apesar de rótulos e pensadores, 99% do mercado ainda pensa como os primeiros industriais pensavam … e ai como é que fica? Ou tu tem o privilégio de entrar em uma das poucas visionárias ou vai vender pipoca na redenção … Abraço, gostei dessa tua provocação :o)

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