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Livros: leituras obrigatórias que mudaram minha vida

Primeiro, tenho que explicar o que considero leitura “obrigatória”: são aqueles livros que, por algum motivo profissional ou de formação, você TEM que ler. Na escola, são alguns autores regionais e nacionais consagrados. Na faculdade, livros que são pedras fundamentais da sua profissão.

O “obrigatória” vai tranquilamente entre aspas, pois se você quiser pode passar a vida escapando dessas leituras — lendo só o resumo na internet, vendo o filme do romance… — nada lhe impedirá. Eu, por exemplo, vou confessar aqui duas de que passei ao largo, não pra mostrar como sou espertinho ou bobo, mas pra questionar essa suposta obrigatoriedade: O Continente, do Érico Verissimo, que para quem é gaúcho representa quase o mesmo que não ler O Alienista do Machado de Assis, em termos de literatura nacional; na área do Design de Experiência do Usuário (UX), passei em branco pelo The Elements of User Experience, do Jesse James Garrett, só conhecendo o famoso resumão da parada.

[ Breve comentário: não acho que ninguém tenha que ter vergonha de não fazer leituras indicadas… desde que leia outras coisas no lugar! :D ]

Dito isso, quero falar sobre como algumas dessas leituras indispensáveis, irremediáveis e inscapáveis que mudaram minha vida.

O quê?! Um livro de Direito Trabalhista ou de Botânica mudando a vida de alguém??

Seria mais ou menos essa a relação se eu fosse um estudante de Direito ou Biologia… dizer que um livro técnico, daqueles que vocês nunca leria nas férias, alterou o rumo da sua existência.

De certa forma, esse “mudou a vida” pode acontecer com cada um dos livros que a gente lê até o fim, pois nenhuma leitura é totalmente insignificante para não nos fazer nada (nem bem nem mal).

Mas esses livros que listo abaixo tem algumas propriedades particulares. Contradizendo as expectativas normais, foram leituras extremamente prazerosas, mesmo que as tenho feito na marra (mentirinha). Além disso, todos contém uma mensagem, uma linha de pensamento que pode ser resumida de forma bem simples — ao menos é o que eu acho.

O design do dia-a-dia, de Don Norman

the-design-of-everyday-things-revised-editionA mensagem contida aqui, e que acaba de ser renovada com uma nova edição do livro, é libertadora, fato que se repete nos outros casos que cito aqui. Norman diz que

as pessoas tem dificuldade de usar e se adaptar às (novas e velhas) tecnologias porque elas não foram projetadas pensando nas suas necessidades e limitações. [resumão meu]

Nesse sentido, ele tira a culpa de cima da gente por não sabermos usar computadores, controles remoto, telefones, elevadores e até mesmo portas! Ufa!

Não me faça pensar, de Steve Krug

dontmakemethinkEsse livro, que tem continuidade com outro do mesmo autor,  dá a seguinte morta, que eu sintetizo assim:

Você tem uma idéia. Ela é genial, vai mudar o mundo! Ou é simplesmente boa. Ok. Vamos testá-la?

— Ah, não precisa… vai dar certo, não tenho dúvida!

Se ela é boa, então pra quê ter medo do teste?

Nas entrelinhas, está dito que boa parte das idéias, quando se concretizam, na realidade são uma m****. Mas ok, vamos aprender como, por que… ao invés de ficar se enganando.

Relativizando, de Roberto DaMatta

relativizandoEu não estudei Sociologia, nem tenho muitas leituras na área da Antropologia, mas esse livro do antropólogo brasileiro fez algumas boas cócegas no meu cérebro. Resumindo, como disse em outro post:

Não se trata de um “tudo é relativo” onde nunca se tem certeza de nada. Relativizar é se colocar no lugar dos outros — outra pessoa, outro grupo, outra tribo — através da pesquisa etnográfica, para, a partir desse ponto de vista, avaliar os nossos próprios conceitos.

É a tal da empatia numa via de mão dupla: eu vou e me coloco no lugar do outro, e depois volto pro meu lugar depois de ter vivido essa experiência… e aí, o que mudou?

Preconceito Lingüistíco, de Marcos Bagno

marcos-bagno1Essa última é uma leitura bem recente onde, de cara, já notei que seria daquelas pra se levar consigo pela vida. Ela é obrigatória pro estudante de Comunicação, Letras, Sociologia, História… pensando bem, qualquer profissão. Em essência, o autor diz que

os falantes do português brasileiros são massacrados com exigências de bem falar e escrever que muitas vezes são inalcançáveis, quando não sem sentido. Essas normas servem como instrumento de poder e obscurantismo por parte de quem já está por cima, e não quer sair de lá. [resumo meu]

Recentemente, vi uma página de comentários  onde a palavra ancioso (com C ao invés de S) aparecia inúmeras vezes. Depois de ler esse livro, já não vejo isso como um pecado mortal e, inclusive, me questiono: de onde vem esse “erro”? É a língua evoluindo — ou simplesmente mudando, como mostram ‘n’ exemplos do livro — ou um sintoma das condições do nosso sistema educacional?

*****

Bueno, essas foram algumas leituras que pra mim perderam o status de sofrimento pra fazerem parte da minha estante na boa. Espero que vocês também tenham as suas!

Foto: paulbence

4 Comments +

  1. Eu me interessei pelo “Preconceito Lingüistíco”, curso uma licenciatura e hoje não julgo uma pessoa que não escreva tão corretinho, mas ainda tem MUITA gente que faz isso.
    O livro parece ser sensacional. Muito obrigada pela dica.
    toalhamecanica.wordpress.com

    Curtido por 1 pessoa

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